OBESIDADE: doença crônica, multifatorial, que envolve componentes genéticos, metabólicos, endócrinos, comportamentais, sociais e psicológicos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade assume, atualmente, características epidêmicas. Temos no mundo, hoje, 1 bilhão de pessoas com sobrepeso. Desses, 300 milhões estão clinicamente obesos. A OBESIDADE é a maior responsável pelo aumento global de outras doenças crônicas incapacitantes, com risco de morte.
Os primeiros tratamentos para a OBESIDADE foram os clínicos e psicológicos, que se mostraram em sua grande maioria ineficientes quanto à manutenção do peso a longo prazo.
Em 1991, a Conferência de Desenvolvimento de Consenso, do National Institutes of Health (NHI), recomendou a introdução da utilização da técnica cirúrgica, nos tratamentos para obesidade.
A partir daí, a CIRURGIA BARIÁTRICA será usada como instrumento aliado aos tratamentos clínico e psicológico com a finalidade de reduzir as falhas terapêuticas.
A obesidade é identificada pelo acúmulo da gordura – de acordo com a OMS, diagnosticado pelo cálculo do “Índice de Massa Corporal”. Este é o padrão reconhecido internacionalmente, determinado pela divisão do peso (KG) pela altura ao quadrado (M²). Quando este índice estiver entre 35 e 39.9, temos pacientes com obesidade moderada. Entre 40 e 49.9, considera-se obesidade mórbida. Nos casos em que for igual ou superior a 50, denomina-se superobeso.
Pacientes com obesidade moderada podem submeter-se a gastroplastia, quando apresentarem problemas cardíacos, apneia do sono, osteoartrites ou artralgias, hipertensão, dislipidemias e diabetes tipo II, entre outras. É necessário que o candidato à cirurgia apresente a obesidade por pelo menos cinco anos e tenha tentado procedimentos conservadores de emagrecimento de modo contínuo nos últimos dois anos.
Ao entendermos hoje a obesidade como uma doença determinada por diversos fatores, estando elencado entre esses fatores o genético, considerando que não existe um tratamento genético, a única forma de controlar a doença é perdendo peso. Lembramos que a cirurgia não é feita na doença –obesidade – e sim em órgãos normais. Evidenciando desta forma, a necessidade de um tratamento multidisciplinar.
O Ministério da Saúde, através da portaria 360/2005, e o Conselho Federal de Medicina (CFM), com a resolução 1942/2010, reconhecem que o mais importante é o tratamento multiprofissional quando tratamos de obesidade.
Porque é importante o acompanhamento psicológico na luta contra a obesidade?
A obesidade, do ponto de vista psicodinâmico, corresponde a uma doença como efeito final de uma complexa trama de dificuldades psíquicas e sua interação com o meio, que parte de problemas em fases precoces do desenvolvimento do ser humano.
Nas fases iniciais de nosso desenvolvimento, nossa primeira forma de relação com mundo é através da incorporação do alimento. É na relação fusional com a mãe que a criança forma sua “imagem corporal”. A psicologia entende que falhas nesse momento crucial do desenvolvimento, podem incapacitar o sujeito para lidar com a pressão vinda do corpo, estruturando os sintomas mais primitivos que irão se expressar mais tarde, em comportamentos aditivos.
Assim torna-se de suma importância o acompanhamento psicológico dos pacientes que se submetem a cirurgia bariátrica, pois estes tem sua manifestação sintomática – comer compulsivamente – interrompida de forma aguda e artificial, pela intervenção cirúrgica. Desestruturando a dinâmica biopsicológica do sujeito. A psicologia entra para junto aos pacientes operados, compreender as experiências vivenciadas por eles, acolher seu sofrimento existencial e emocional elaborando novas estratégias para seu modo de viver.
Situando o sujeito da sua nova condição, não comer em excesso e redirecionando os sentimentos implícitos ao ato de comer, numa nova via de escoamento das angústias, para com isso ajudar, o paciente a aderir ao tratamento e instrumentalizá-lo para manter a perda de peso.
O psicólogo, durante o processo de perda de peso acentuado, no pós-cirúrgico, orienta o paciente na adaptação comportamental que se fará imprescindível a partir da cirurgia.
Afinal o paciente operado precisa compreender que a cirurgia bariátrica é mais um instrumento que tem para auxiliá-lo no processo de emagrecimento, ela não será a resposta para todos os seus problemas, ela não é um fim, deve ser vista como um marco para o início de uma nova vida.
Cláudia Cristina Dadalt
Psicóloga – CRP 12/11473
