Desvairada Estética


Outro dia me vi capturada pela poesia cantada por Oswaldo Montenegro, Quebra Cabeça Sem Luz.

Capturada porque ela nos fala desse enigma que todos trazemos em nosso ser e que as vezes a desvairada estética do artista consegue traduzir. O intraduzível, porque de alguma forma sabemos que aquelas palavras nos dizem algo, mas ao tentar expressar o que elas   nos dizem … ficamos sem palavras.

Talvez eles consigam em sua poesia dizer o indizível, por isso … poesia.


QUEBRA CABEÇA SEM LUZ.

Oswaldo Montenegro.

 

É na clareza da mente

Que explode a procura de um novo processo

E o que é meu direito eu exijo não peço

Com a intensidade de que quer viver

E optar: ir ou não por ali

A nossa primeira antena é a palavra

Que amplia a verdade que assusta

E a gente repete o que quer, mas não busca

E de um modo abstrato se ilude que fez

Qualquer dia você

Vai me ver disfarçar de fazer como eu

Que disfarço na tal fantasia a magia

Só me fantasio do que venha a ser

Pra que o corpo supere a fadiga

Você o que pensa do assunto

Se a gente se encontra mas nunca tá junto

Vivendo esse quebra cabeça sem luz

Pra não ficar dividida

Minha mente estabeleci combinado faria

Dizer pondo um pouco de mate

Gel/há de fazer como os loucos

Falando aos tropeços (perdão Rita Lee)

Pra que a gente se entenda algum dia

Há de ser como o Louco Quixote

E a lógica insiste em guardar no se pote

A mais linda palavra que eu ia dizer.

Qualquer dia você

Vai me ver disfarçar de fazer como eu

Que disfarço na tal fantasia a magia

E só me fantasio do que venha ser

E o que se espera da minha cabeça

Há de ser invertido

E a sonata que eu já compus

Virou rock/quem roubou minha loucura fui eu

E agora devolvi.


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