Lacan inicia colocando que se a psicanálise deve se constituir como ciência do inconsciente, devemos partir de que “o inconsciente é estruturado como linguagem”, e que a topologia lacaniana tem a finalidade de dar conta da constituição do sujeito, que essa dinâmica é, em sua essência, de ponta a ponta sexual.
Fala que essa estruturação do inconsciente aponta para a repartição de dois campos:
Campo do Outro – “[…] é o lugar em que se situa a cadeia significante que comanda tudo que vai poder presentificar-se do sujeito.” (p. 193/194)
Campo do sujeito – “[…] é o campo desse vivo onde o sujeito tem que aparecer – é do lado desse vivo, chamado à subjetividade, que se manifesta essencialmente a pulsão.” (p. 194)
E assevera, que toda pulsão – por sua essência de pulsão – é parcial. Sendo que a pulsão não tem representação psíquica quanto a tendência sexual e a reprodução.
“[…] No psiquismo não há nada pelo que o sujeito se pudesse situar como ser de macho ou ser de fêmea. […] Disso o sujeito, em seu psiquismo, só situa equivalentes – atividade e passividade…” (p. 194)
Essa polaridade do ser macho e do ser fêmea, só é representada pela polaridade – da atividade – que se manifesta no sujeito por intermédio das pulsões – as quais se manifestam de forma endógena, e da passividade, que só é passividade frente ao exterior.
Em função dessa divisão – atividade/passividade – a experiência analítica nos mostra – “[…] que as vias do que se deve fazer como homem ou como mulher são inteiramente abandonadas ao drama, ao roteiro, que se coloca no campo do Outro…” (p. 194)
“[…] Acentuei isso da última vez, dizendo-lhes que o que se deve fazer, como homem ou como mulher, o ser humano tem sempre que aprender, peça por peça, do Outro. Evoquei então a velha do conto de Dafnis e Cloé (1), cuja fábula nos representa que há um último campo, o campo da realização sexual, cujos caminhos no final das contas, o inocente não sabe.” (p. 194)
Para dizer, que as pulsões parciais são no psiquismo o representante das consequências da sexualidade. E afirmar que:
“[…] aí está o signo de que a sexualidade se representa no psiquismo por uma relação do sujeito que se deduz de outra coisa que não da sexualidade mesma. A sexualidade se instaura no campo do sujeito por uma via que é a da falta.” (p. 194)
Apontando aqui que há duas faltas que se recobrem.
A primeira falta – falta simbólica, simbólica em função de que a dialética do advento do sujeito acontece sempre em relação ao Outro – “[…] pelo fato de que o sujeito depende do significante e de que o significante está primeiro no campo do Outro.” (p. 195)
Assim, primeira falta – falta simbólica, porque o sujeito está alienado ao significante do Outro.
Falta esta que vem recobrir outra que Lacan chama – Falta Real.
Falta Real, “[…]anterior, a se situar no advento do vivo, quer dizer na reprodução sexuada. A falta real é o que o vivo perde, de sua parte de vivo, ao se reproduzir pela via sexuada. Esta falta é real, porque ela se reporta a algo de real que é o que o vivo, por ser sujeito ao sexo, caiu sob o golpe da morte individual.” (p. 195)
Assim, temos a falta real, que acontece em função do sujeito ser engendrado na reprodução sexual, falta esta que é recoberta por outra falta – simbólica, em função da alienação significante.
Lacan aqui vai retomar o mito de Aristófanes, para nos dizer novamente, que ele é enganador – pois este mito vai dizer que o sujeito procura no outro a sua metade sexual. O que o vivo procura no amor.
Para sustentar que: “[…] A esta representação mítica do mistério do amor, a experiência analítica substitui a procura pelo sujeito, não do complemento sexual, mas da parte para sempre perdida dele mesmo, que é constituída pelo fato de ele ser apenas um vivo sexuado, e não mais ser imortal.” (p. 195)
E, Lacan vai nos dizer que aqui podemos compreender que:
“[…] pela mesma razão que faz com que seja pelo logro que o vivo sexuado seja induzido à sua realização sexual – a pulsão – pulsão parcial, é fundamentalmente pulsão de morte, e representa em si mesma a da morte no vivo sexuado.” (p. 195)
Em contraponto ao mito enganador de Aristófanes, Lacan vai nos trazer a ideia do mito feito para encarnar a parte faltosa, ao qual ele deu o nome de “mito da lâmina” – justapondo-o a Libido.
“[…] Ele tem esta importância nova de designar a Libido não como um campo de forças, mas como um órgão.” (p. 195)
Para tanto, define a libido desta forma:
“[…] A Libido é o órgão essencial para se compreender a natureza da pulsão. Esse órgão é irreal. Irreal não é de modo algum imaginário. O irreal se define por se articular ao real de um modo que nos escapa, e é justamente o que exige que sua representação seja mítica, como a fazemos. Mas, por ser irreal, isso não impede um órgão de se encarnar.” (p. 195)
Vai finalizar este tópico dizendo: “[…] De cada vez que estamos na dialética da pulsão, outra coisa comanda. A dialética da pulsão se distingue fundamentalmente do que é da ordem do amor, como do que é do bem do sujeito.” (p. 196).
Pontuando que quer acentuar as “operações de classificação do sujeito em sua dependência significante ao lugar do Outro.”
Inicia o tópico dois, dizendo que tudo surge da estrutura do significante, que se funda na função do corte e que se articula como função topológica de borda.
Afirmando para tanto que, “[…] A relação do sujeito ao Outro se engendra por inteiro num processo de hiância.” (p. 196)
Lacan coloca que as ciências e a via filosófica, foram ineficientes, para definir o sujeito, porque falta a eles uma definição suficiente do inconsciente.
“[…] A psicanálise, então, nos lembra que os fatos da psicologia humana não se poderiam conceber na ausência da função do sujeito definido como efeito do significante. […] Aqui os processos devem, certamente, ser articulados como circulares entre o sujeito e o Outro – do sujeito chamado ao Outro, do Outro que lá retorna. Este processo é circular, mas por sua natureza, sem reciprocidade. Por ser circular, é dissimétrico.” (p. 196)
E nos diz, que não podemos esquecer que um significante é o que representa um sujeito para outro significante.
“[…] O significante produzindo-se no campo do Outro faz surgir o sujeito de sua significação. Mas ele só funciona como significante reduzindo o sujeito em instância a não ser mais que um significante, petrificando-o pelo mesmo movimento com que o chama a funcionar, a falar, como sujeito. Aí está propriamente a pulsação temporal em que se institui o que é a característica da partida do inconsciente como tal – o fechamento.” (p. 197)
Vai então, nos trazer a lembrança – Jones, que define este fechamento como afânise – o desaparecimento, que ele toma como o “medo de ver desaparecer o desejo”, o que Lacan diz ser algo bastante absurdo.
“[…] Ora, a afânise deve ser situada de maneira mais radical nesse movimento de desaparecimento que qualifiquei de letal. De outro modo ainda chamei esse movimento de fading (2) do sujeito.” (p. 197)
Volta a afirmar então que:
“[…] Reencontramos então aqui a constituição do sujeito no campo do Outro […] se o pegamos em seu nascimento no campo do Outro, a característica do sujeito do inconsciente é de estar, sob o significante que desenvolve suas redes, suas cadeias e sua história, num lugar indeterminado.” (p. 198)
Entretanto, Lacan voltando-se para a questão da clínica e da interpretação no processo analítico, ele ressalta: “[…] A interpretação não se dobra a todos os sentidos. Ela só designa uma única série de significantes. Mas o sujeito pode com efeito ocupar diversos lugares, conforme se o ponha sob um ou outro desses significantes” (p. 198)
Vai abrir o tópico três falando das duas operações que articulam a relação do sujeito com o outro. Apontando-nos que esse processo é de borda, circular – suportado por este pequeno losango (<>), que serve como algoritmo.
“[…] É possível não integrá-lo, por exemplo, à própria fantasia – é $<>a – (S barrado, punção de a minúsculo). Não é possível não integrá-lo também a esse nó radical onde se conjugam a demanda e a pulsão, que designa o – $<>D, (S barrado, punção de D maiúsculo), e que poderíamos chamar de grito (3).” (p.198)
Segue dizendo que este losango, é uma borda, que para funcionar é preciso provê-lo de uma direção – sentido anti-horário.
Esse primeiro < do losango, é o vel. Constituído pela primeira operação. Esse vel. É o da primeira operação essencial, em que se funda o sujeito – operação chamada – alienação.
Faz-nos a seguinte ressalva, que sempre se está um “pouquinho” alienado, “[…] quer seja no econômico, no político, no psicopatológico, no estético e assim por diante.” (p. 199)
Aí, podemos nos perguntar – no que consiste a raiz dessa alienação?
E, Lacan nos diz:
“[…] A alienação consiste nesse vel que – […] condena o sujeito a só aparecer nessa divisão que venho, me parece, de articular suficientemente ao dizer que se ele aparece de um lado como sentido, produzido pelo significante, do outro ele aparece como afânise (4)” (p. 199)
Colocando a seguir que o vel da alienação se define por uma escolha, cujas propriedades dependem do seguinte – “[…] que há na reunião, um elemento que comporta que, qualquer que seja a escolha que se opere, há por consequência um nem um, nem outro. A escolha aí é apenas a de saber se a gente pretende guardar uma das partes, a outra desaparecendo em cada caso.” (p.200)
A implicação da alienação que condena o sujeito a só aparecer nessa divisão – tem consequências na clínica – e nos diz:
“[…] A alienação tem por consequência que a interpretação não tem de modo algum sua última instância no fato de ela nos livrar as significações da via onde caminha o psíquico que temos diante de nós. Esta importância é apenas de preludio. A interpretação não visa tanto o sentido quanto reduzir os significantes a seu não-senso, para que possamos reencontrar os determinantes de toda a conduta do sujeito.” (p.201)
Vai afirmar que esse ou (5) alienante, não é uma invenção arbitrária. Ele está na linguagem e existe. E exemplifica:
“[…] A bolsa ou a vida! Se escolho a bolsa, perco as duas. Se escolho a vida sem a bolsa, isto é uma vida decepada.” (p. 201)
Diz a seguir que foi em Hegel (6) que encontrou a ideia de vel alienante –
“[…] Do que se trata, nele? […] trata-se de engendrar a primeira alienação, aquela pela qual o homem entra na via da escravidão. A liberdade ou a vida! Se ele escolhe a liberdade, pronto, ele perde as duas imediatamente – se ele escolhe a vida, tem uma vida amputada de liberdade.” (p. 201)
Para nos colocar que existe algo de particular nesse processo, que ele vai chamar de fator letal (7).
Para tanto, vai nos trazer, mais um exemplo:
“[…] a liberdade ou a morte!”, e nos diz que o fato da morte entrar no jogo, temos um efeito diferente.
“[…] Vocês escolhem a liberdade, Muito bem! É a liberdade de morrer. […] nas condições em que lhe dizem a liberdade ou a morte, a única prova de liberdade que vocês podem fazer nas condições que lhes indicam, é justamente a de escolher a morte, pois aí, vocês demonstram que vocês têm a liberdade de escolha.” (p. 202)
Apontando que este momento, que também é hegeliano – pode ser chamado terror – porque nos dirige para o essencial do vel da alienação – o fator letal.
Lacan inicia o item quatro deste capítulo, nos trazendo a segunda operação – que engendra o sujeito, a qual termina a circularidade da relação do sujeito ao Outro.
“[…] Enquanto que o primeiro tempo está fundado na subestrutura da reunião, o segundo está fundado na subestrutura que chamamos intersecção ou produto. Ela vem justamente situar-se nessa mesma lúnula onde vocês reencontrarão a forma da hiância, da borda (8).” (p. 202)
Segue explicitando que essa intersecção dos dois conjuntos é constituída pelos elementos que pertencem aos dois conjuntos.
“[…] Esta operação segunda é tão essencial de ser definida quanto a primeira, porque é aí que vamos ver despontar o campo da transferência (9). Eu a chamarei, introduzindo aqui meu segundo termo a SEPARAÇÃO.” (p. 202)
A seguir Lacan vai desfiar etimologicamente a palavra “SEPARAÇÃO”:
“[…] Separare, separar, irei logo ao equívoco de se parare, se parer, em todos os sentidos flutuantes que têm em francês, tanto também vestir-se, quanto defender-se, munir-se do necessário para pôr-se em guarda, e irei mais longe ainda, no que autorizam os latinistas, ao se parere, ao engendrar-se do que se trata no caso. Como, desde este nível, o sujeito terá que se procurar? – aí está a origem da palavra que designa em latim o engendrar.” (p. 202)
Isto para chamar nossa atenção, novamente ao fato de que o sujeito se engendra na relação com o Outro, e através do recobrimento de duas faltas, o que Lacan já colocou no início deste capítulo.
“[…] Uma falta é pelo sujeito, encontrada no Outro, na intimação mesma que lhe faz o Outro por seu discurso. Nos intervalos do discurso do Outro, surge na experiencia da criança, o seguinte, que é radicalmente destacável – ele me diz isso, mas o que ele quer?” (p. 203)
São essas duas faltas que o sujeito se depara – Falta simbólica, porque o sujeito está alienado ao significante do Outro, a qual vem recobrir a Falta real – em função da nossa reprodução sexuada. O que vai levar o sujeito – em função dessas faltas que se recobrem a se deparar com o desejo – o desejo do Outro.
“[…] Nesse intervalo cortando os significantes, que faz parte da estrutura mesma do significante, está a morada do que, em outros registros de meu desenvolvimento, chamei de metonímia. É de lá que se inclina, é de lá que desliza, é lá que foge como o furão, o que chamamos desejo. O desejo do Outro é apreendido pelo sujeito naquilo que não cola, nas faltas do discurso do Outro, e todos os por-quês? da criança testemunham menos de uma avidez da razão das coisas do que constituem uma colocação em prova do adulto, um por que será que você me diz isso? Sempre res-suscitado (10) de seu fundo, que é o enigma do desejo do adulto.” (p. 203)
Para finalizar este capítulo, Lacan vai insistir nos seus argumentos com a seguinte conclusão:
“[…] Ora, para responder a essa pega, tal como ‘Gribouille’ (11), o sujeito traz a resposta da falta antecedente de seu próprio desaparecimento, que ele vem aqui situar no ponto da falta percebida no Outro. O primeiro objeto que ele propõe a esse desejo parental cujo objeto é desconhecido, é sua própria perda – Pode ele me perder? A fantasia de sua morte, de seu desaparecimento, é o primeiro objeto que o sujeito tem a pôr em jogo nessa dialética. […] Uma falta recobre a outra. Daí, a dialética dos objetos do desejo, no que ela faz a junção do desejo do sujeito com o desejo do Outro – há muito tempo que eu lhes disse que era a mesma coisa – essa dialética passa pelo seguinte: que aí ele não é respondido diretamente. É uma falta engendrada pelo tempo precedente que serve para responder à falta suscitada pelo tempo seguinte.” (p. 203)
NOTAS E REFERÊNCIAS
- Os amores pastorais de Dáfnis e Cloé. Escrito por Longo – grego (Lebos 150 d.C. / 230 d.C.) Consiste na história de órfãos abandonados quando crianças e criados como pastores. Eros incumbiu Philitas – um velho da região, a instruir os jovens nas artes do amor. Lacan quer nos mostrar com essa lenda que a sexualidade é um fenômeno cultural e não um impulso simples da natureza.
- Fading – desvanecimento, desbotamento, enfraquecimento.
- O grito é codificado pelo Outro como demanda.
- Aqui, Lacan aponta para o fato, de que, de um lado, sujeito desaparece enquanto ser, para se alienar no significante.
- O que Lacan quer nos mostrar aqui é que no processo da alienação, não há para o sujeito a possibilidade de não escolher – a escolha é necessária – é necessário se alienar.
- Em – Os Pensadores – Nova Cultura – 1996 – Hegel. Encontramos no tópico – A consciência Infeliz – o seguinte: “[…] estreitamente vinculada à teoria da história e do estado elaborada por Hegel, encontra-se sua teoria da alienação, cujo primeiro esboço data do período de Berna (1793/96). Nessa época, surgiu em seu pensamento a noção de ‘positividade’, a qual continha em germe, no entender de Lukács, ‘o conceito filosófico central da Fenomenologia do Espírito’, a alienação. Em Berna, Hegel recusou as ramificações sociais e culturais de todo poder político que fosse incompatível com a autonomia do sujeito moral; essas ramificações foram designadas por ele pela expressão ‘positividade’, tomada no sentido depreciativo como algo estranho, hostil, petrificado. Posteriormente, a positividade seria vista por Hegel como etapa histórica inelutável do processo de socialização, isto é, como alienação da consciência, tema central da Fenomenologia do Espírito. Nessa obra, a consciência, como se fosse a protagonista de um romance do século XIX, faz o duro aprendizado do mundo: vai se enriquecendo com as ilusões que perde e a repetição desses desenganos sucessivos cristaliza-se numa espécie de sabedoria final a respeito da sociedade e da história. Nesse processo contínuo, a consciência se aliena, perdendo-se no mundo da cultura que ela própria vai moldando, sendo modificada e formada por ele. A positividade, que no pensamento hegeliano anterior oprimia a consciência como um destino enigmático, na Fenomenologia é experimentada como suporte social de sua própria realização.
No processo de alienação da consciência, as instituições que o homem funda e a cultura que ele cria, diz Marcuse, interpretando Hegel, ‘acabam por desenvolver leis próprias, e a liberdade do homem tem que se submeter a elas. O homem é dominado pela riqueza em expansão de seu meio econômico, social e político, e vem a esquecer que seu livre desenvolvimento é a meta final de todas essas obras; em vez disso, rende-se a seu Império. Os homens sempre procuram perpetuar uma cultura estabelecida; assim fazendo, perpetuam sua própria frustração.” (p. 17)
- Fator letal em função de que, ao sujeito alienar-se – condição necessária – para o engendramento do sujeito, este sofre Afânise – ou seja o desaparecimento, esvaecimento do sujeito. Ou seja, o sujeito há que desaparecer enquanto objeto, para poder surgir como sujeito dividido – $ – Sujeito do inconsciente.
- Podemos definir o termo “borda” como as zonas erógenas que são marcadas no organismo pelos significantes do Outro – fazendo aí surgir o corpo.
- Aqui vemos Lacan nos conduzindo a pensar os fundamentos da teoria psicanalítica ligados a prática clínica, pois este processo de engendramento do sujeito, implica diretamente no processo transferencial que se dá na clínica.
- O termo “res-suscitado” aqui evoca a ideia da morte, já colocado por Lacan – quando nos traz a questão da reprodução sexuada e da afânise do sujeito – quando este necessariamente tem que se alienar no Outro.
Marie-France Gaité – também conhecida como Gribouille. França 1941/1968. Cantora, musicista e compositora. Num período da sua adolescência, sofreu de um transtorno mental e por um tempo foi confinada, contra sua vontade, em um hospital psiquiátrico em Lyon. Em Paris, Jean Cocteau enquanto desenhava na calçada com giz – desenhou um retrato de Marie-France e o dedicou “Para meu amigo Gribouille”. Marie-France era chamada de Gribouille desde os tempos da escola. Gribouille é uma expressão francesa para pessoa confusa e tola, que corre para os perigos que quer evitar, ou seja, é capaz de se precipitar no rio para evitar se molhar pela chuva.
