Metáfora Paterna


OS NOMES – DO – PAI

O Nome-do-pai é um conceito lacaniano. Lacan abandona seu seminário em 1963, o qual seria dedicado aos Nomes-do-Pai. Em 1973/74 chama seu XXIº Seminário de “Les Non-dupes errent” e faz um trocadilho com “Les Noms-du-Pére” (os dois sintagmas são pronunciados da mesma forma em francês), e quer dizer: os que não são tolos erram. As pessoas que sempre pretendem não se enganarem, são as mais enganadas. Mas o trocadilho também significa que, em vez de “Les Noms-du-Pére”, que Lacan recusava-se a adotar novamente como tal, fez-se uma substituição: não tolos tomam o lugar do pai, e sua errância toma o lugar do nome. Para Lacan o Nome do Pai é tão importante quanto o pai do nome.

Em seus textos Lacan deixa claro que a função do pai é, em primeiro lugar, suportar o símbolo, isto é, erigir a ordem simbólica. O homem é constituído por essa ordem.

Isto significa que temos de distinguir a função simbólica do pai, que pode ser encontrada no significante como tal (na cadeia significante), da relação imaginária entre pai e filho. Mostrando-nos que um dos princípios fundamentais em psicanálise é que o pai é, em primeiro lugar, um nome – um significante.

Desta forma podemos compreender que o pai vem nos trazer uma substituição, e de fato uma metáfora.

FÓRMULA DA METÁFORA
OU
SUBSTITUIÇÃO SIGNIFICANTE


S = significantes

X = significação desconhecida

S = significado induzido pela metáfora que consiste na substituição, na cadeia significante, de S’ por S. A elisão de S’, aqui representada por seu risco ($’), é a condição do sucesso da metáfora.

Lacan em de uma questão preliminar vai dizer que isso se aplica, assim a metáfora do Nome-do-Pai, ou seja, à metáfora que coloca esse Nome em substituição ao lugar primeiramente simbolizado pela operação da ausência da mãe.

METÁFORA PATERNA

O Nome-do-Pai é o produto da Metáfora Paterna que, designando primeiramente o que a religião nos ensinou a evocar, atribui a função paterna ao efeito simbólico de um puro significante e que, em um segundo momento, designa aquilo que rege toda a dinâmica subjetiva, ao inscrever o desejo no registro da dívida simbólica.

O Nome-do-Pai, que é a substituição como tal, é um significante insólito. Sua significação é a de um significante que falta na bateria dos significantes, isto é, no campo do outro.

O Nome-do-Pai, consiste principalmente, na regulação do sujeito com seu desejo, em relação ao jogo dos significantes que o animam e constituem sua lei.

A formalização da Metáfora Paterna se constitui em um jogo de substituição na cadeia significante, organizado em dois tempos, nos pontua Chemama(1995).

O primeiro realiza a elisão do desejo da mãe, colocando em seu lugar a função do pai a que ela conduz através do apelo ao seu nome, pela identificação com o pai e pela retirada do sujeito para fora do campo do desejo da mãe. Esse primeiro tempo, decisivo, regula com todas as dificuldades decorrentes de cada história, o devir da dialética edípica Ele condiciona o que se convencionou chamar de normalidade fálica, ou seja a estrutura neurótica resultante da inscrição de um sujeito, por meio do recalcamento originário.

No segundo tempo, o Nome-do-Pai, enquanto significante, vai duplicar o lugar do Outro inconsciente. Ele dramatiza em seu justo lugar, a relação como significante fálico originariamente recalcado e institui a palavra, sob os efeitos do recalcamento e da castração simbólica, condição sem a qual um sujeito não conseguiria assumir validamente seu desejo na ordem de seu sexo.


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