Inconsciente


Evolução do conceito na obra de Freud, principais textos:

PRIMEIRA TÓPICA

1895 – Estudos sobre a Histeria (VOL. II – p. 107 – nota de rodapé)

Frau Emmy Von N. Primeira vez que aparece a palavraINCONSCIENTE, nos textos freudianos.

1900 – A Interpretação dos Sonhos (VOL.IV e V)

É onde Freud vai descrever o Inconsciente.
Primeira Tópica: Cs. Pcs. Incs.

1911 – Formulações sobre os dois princípios do funcionamento Mental (VOL. XII)

Neste texto Freud nos coloca como funciona o aparelho psíquico. Para tanto vai elencar duas formas de atuação.

Processo Primário – Regido pelo Princípio de Prazer

“Estes processos esforçam-se por alcançar prazer; a atividade psíquica afasta-se de qualquer evento que possa despertar desprazer.” (pg.238)

Este processo é o mais antigo, único existente no início da vida.

Processo Secundário – Regido pelo Princípio de Realidade

“Um novo princípio de funcionamento mental foi assim introduzido; o que se apresentava na mente não era mais o agradável, mas o real, mesmo que acontecesse ser desagradável. Este estabelecimento do Princípio de Realidade provou ser um passo momentoso.”

Freud chega a essas conclusões sobre o funcionamento do aparelho psíquico, porque ao trabalhar com sujeitos neuróticos percebe que: “…toda a neurose tem como resultado e, portanto, provavelmente, como propósito arrancar o paciente da vida real, aliená-lo da realidade. …Os neuróticos afastam-se da realidade por achá-la insuportável – seja no todo ou em parte.” (pg.237) 

Também é neste texto que Freud vai se referir a “escolha da neurose”.  Cito-o: 

“…Se estamos certos de pensar que cada passo destes dois cursos de desenvolvimento pode tornar-se local de uma disposição à doença neurótica posterior, é plausível supor que a forma assumida pela doença subsequente ( a escolha da neurose)  dependerá da fase específica de desenvolvimento do ego e da libido na qual a inibição disposicional do desenvolvimento ocorreu.” (pg.243)

1912 – Uma nota sobre o Inconsciente em psicanálise (VOL. XII)

Neste texto Freud tenta elucidar o que o termo INCONSCIENTE veio significar na Psicanálise.

Assim inicia descrevendo que:

Podemos chamar de CONSCIENTE a concepção que está presente em nossa consciência e da qual nos damos conta. E coloca que as “concepções latentes” devem ser designadas pelo termo INCONSCIENTE. Divide as ideias latentes ou INCONSCIENTES em dois tipos

Pré-consciente – em função de algum evento ou fenômeno pode vir a tornar-se consciente;

Inconsciente – ideias que se mantém fora da consciência, acrescentando “apesar de sua intensidade e atividade”. 

Pontua que lapsos, erros de memória e fala, esquecimento de nomes, e outros, “…pode-se demonstrar que dependem da ação de fortes ideias inconscientes da mesma maneira que os sintomas neuróticos”. 

“A inconsciência é uma fase regular e inevitável nos processos que constituem nossa atividade psíquica, todo ato psíquico começa com um ato inconsciente e pode permanecer assim ou continuar a evoluir para a consciência, segundo encontra resistência ou não”

INCONSCIENTE – UBW – UNBEWUSST  

1915 – O Inconsciente (VOL.XIV)

Aparelho Psíquico – CONSCIENTE
PRÉ-CONSCIENTE
INCONSCIENTE

Descritivo = qualidade específica de um estado mental:

LATENTE – Pode tornar-se consciente – Pcs. e Cs.
Reprimido – Não pode tornar-se consciente – Incs.

Apresentação metapsicológica dos processos psíquicos:

  1. DINÂMICO: Função específica de um estado mental – Inconsciente ou consciente.
  2. TOPOGRÁFICO: Localização topográfica de um processo psíquico em sistemas distintos – Incs. – Pcs. – Cs..
  3. ECONÔMICO: Refere-se a quantidades de excitação – Catexia/Anticatexia.

# O que vai fazer uma ideia ser Consciente ou Inconsciente
é o teste de realidade ou censura.

IDEIA   = REPRESENTAÇÃO IDEACIONAL   – RECALCADA –   TRAÇOS DE LEMBRANÇAS.

AFETO =   FICA NO SISTEMA CONSCIENTE, OU SEJA, NÃO É  RECALCADO.

CARACTERISTÍCAS: Impulsos carregados de desejos, coordenados entre si, existindo lado a lado sem se influenciarem. Não há contradição, negação, dúvida, certeza, relação ao tempo. Só existem conteúdos investidos de maior ou menor força.

FUNCIONAMENTO: 

DESLOCAMENTO: Processo metonímico – deslizamento de um sentido o qual para o sujeito é difícil de aceitar, para um outro que não gere conflito.

CONDENSAÇÃO: Processo metafórico – várias cadeias associativas concentram-se numa única representação.

FORMAÇÕES DO INCONSCIENTE: FANTASIAS – SINTOMAS – ATOS FALHOS – CHISTES – SONHOS.

#  NA PRIMEIRA TÓPICA OS PROCESSOS PSÍQUICOS SÃO REGIDOS PELOS: PRINCÍPIO DE PRAZER E PRINCÍPIO DE REALIDADE.

SEGUNDA TÓPICA

1920 – ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER (VOL.XVII)

Neste trabalho Freud vai desenvolver a questão da COMPULSÃO A REPETIÇÃO, prevalecendo sobre o Princípio do Prazer e seu sucedâneo Princípio da Realidade.  Esse novo conceito já vem aparecendo em alguns textos anteriores de Freud, como em Recordar, Repetir e Elaborar (VOL.XII – 1914); A Pulsão e suas Vicissitudes (VOL.XIV – 1915) e O Estranho (VOL.XVII – 1919). Entretanto nestes textos não encontramos a ideia da Pulsão de Morte.

É somente em Além do Princípio do Prazer, que Freud após ter entrado em contato com pacientes que participaram da Primeira Guerra Mundial, depara-se com sujeitos que produziam sonhos com a característica de repetidamente trazer o paciente de volta as situações traumáticas vivenciadas durante a guerra. Sendo levado a refletir sobre o que ele denominou “misteriosas tendências masoquistas do ego”. 

Partindo da observação de uma brincadeira de seu neto de um ano e meio de idade, a qual denominou: FORT DA, Freud vai reformular a forma do funcionamento psíquico, e teoriza o conceito de PULSÃO DE MORTE.

1923 – O EGO E O ID (VOL.XIX)

A partir das novas evidências sobre o funcionamento psíquico, Freud vai teorizar uma nova estrutura para o aparelho psíquico:

APARELHO PSÍQUICO – EU (DAS ICH)
SUPER-EU (DAS ÜBER-ICH)
ISSO (DAS ES)

Sendo que a partir dessa nova elaboração o INCONSCIENTE é tomado como a qualidade do ISSO e parte do EU e do SUPER-EU.

# Na segunda tópica os processos psíquicos são regidos pelos: Princípio do Prazer (Primário) e Princípio Desprazer (Secundário).

# PULSÃO – Jamais torna-se objeto da consciência, ela só pode vir a consciência através de uma ideia (vorstellung) que a representa.

PULSÃO DE VIDA X PULSÃO DE MORTE

Esquema de estudo produzido para o Seminário Introdutório, realizado na Biblioteca Freudiana de Curitiba, tema: Inconsciente.

Março/2020.


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