SEXUALIDADE FEMININA


Freud – 1931 – Vol. XXI – das Obras Completas. Editora Imago.

Neste trabalho Freud retoma as ideias já colocadas em 1925, no texto Consequências Psíquicas da Distinção Anatômica entre os Sexos, e amplia os seguintes pontos:
– a intensidade e longa duração, da ligação pré-edipiana, da menina à mãe,
– faz um longo exame do elemento ativo na atitude da menina para com a mãe e na feminilidade em geral.
Inicia colocando que na fase do complexo de Édipo normal, “… encontramos a criança ternamente ligada ao genitor do sexo oposto, ao passo que seu relacionamento com o genitor do seu próprio sexo é predominantemente hostil.”.
Explicando-nos a seguir que para o menino seu primeiro objeto amoroso foi à mãe, continuara sendo, em função da intensificação de seus desejos e compreensão das relações entre a mãe e o pai, o menino toma o pai como rival.
Com a menina vamos observar um processo diferente; a mãe também é seu primeiro objeto amoroso. Aqui Freud pontua que o desenvolvimento da sexualidade feminina é complicado em função da menina ter que trocar seu objeto original – a mãe, pelo pai. E ainda terá: “[…] a tarefa de abandonar o que originalmente constitui sua principal zona genital – o clitóris, em favor de outra – a vagina.”.
Neste ponto Freud vai dizer estar impressionado com o fato de que, quando encontra em análise, uma ligação da mulher com o pai, intensa, sua análise mostrava que esta era precedida de uma ligação exclusiva, intensa e apaixonada à mãe. Sendo que essa ligação à mãe perdurou, até os quatro ou cinco anos, abrangendo o período da primeira eflorescência sexual.
Para demonstrar as dificuldades que a mulher encontra no caminho rumo à sexualidade feminina, Freud neste texto vai elencando diversas questões encontradas em análise, como:
– bissexualidade, inata nos seres humanos.
– Para a mulher, dois órgãos sexuais; o clitóris – análogo ao órgão masculino e a vagina- órgão genital propriamente dito.
Sendo a vagina virtualmente inexistente, passando a produzir sensações na puberdade.
– Vida sexual das mulheres dividida em duas partes; – primeira possui um caráter masculino; – apenas a segunda é especificamente feminina.
– A continuidade da funcionalidade do clitóris na vida sexual feminina.
– Descoberta da castração sua e da mãe (ódio pela mãe), reconhecendo este fato como superioridade masculina e sua inferioridade, rebelando-se frente a este estádio de coisas, fato que lança a mulher no complexo de Édipo.
Para Freud esses fatos vão propiciar, à mulher, três linha de desenvolvimento possível:
– inibição geral à sexualidade, assustada com sua desvantagem anatômica abandona sua atividade fálica e sua sexualidade;
– complexo de masculinidade, nega o fato de sua castração e preserva a esperança de um dia ser detentora de um pênis;
– reconhece sua castração e assume uma atitude feminina, ocorre aqui mudança do parceiro amado – a mãe cede lugar ao pai; mudança da zona erógena – o clitóris cede lugar a vagina; mudança do objeto desejado – o pênis cede lugar a um filho.
Freud neste texto pontua:
“[…] O afastamento da mãe constitui um passo extremamente importante no curso do desenvolvimento de uma menina. Trata-se de algo mais do que uma simples mudança de objeto.” (pg.247).
“[…] a fase de ligação exclusiva à mãe […] fase pré-edipiana, tem nas mulheres uma importância muito maior.”. (pg.238)


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