O ÂMAGO DA DEPRESSÃO EM O DEMÔNIO DO MEIO-DIA POR ANDREW SOLOMON.


Chegou as livrarias do país a reedição do livro de Andrew Solomon sobre depressão. Este livro foi editado uma primeira vez em 2001. Na época não despertou muito meu interesse, havia apenas há pouco tempo começado minha prática clínica. Há mais ou menos uns cinco anos, em função de meus estudos voltarem-se para este tópico, procuro este livro esgotado para compra, com possibilidade de reimpressão. Finalmente neste outubro/2014, ele chegou às livrarias, O DEMÔNIO DO MEIO-DIA UMA ANATOMIA DA DEPRESSÃO.

Andrew Solomon (2014) vai discorrer, no capítulo VIII de seu livro, que tomou de Evágrio – monge, nascido por volta de 345, na Capadócia, que passou 16 anos, de sua vida no deserto do Egito, como anacoreta; o título de seu livro porque este “…descreve exatamente o que se experimenta na depressão.”.

Evágrio definia o desalento melancólico como um “Demônio do meio-dia”

Incluindo-o na lista dos pecados capitais.

Para tanto Solomon assevera:

“A depressão apresenta-se ao fulgor total do sol, não se sentindo desafiada pelo reconhecimento. Pode-se conhecer todos os seus porquês e mesmo assim sofrer tanto quanto se estivesse mergulhado na ignorância.”

Solomon expõe o âmago da depressão de forma corajosa e sensível, trazendo-a para a luz do meio-dia. Sua experiência infernal, mostrou-lhe o quanto a depressão necessita ainda ser desmistificada.

Para tanto mergulha na investigação da depressão, desde Hipócrates a Freud. De Freud à psiquiatria com seus manuais e suas drogas psicoativas. Aborda também os avanços da ciência a partir do escaneamento cerebral. Vai a campo entrevistar pessoas de diversas culturas, idades, etnias, etc. Procura conhecer e até experimentar várias formas de tratamento.

E, conclui que, mesmo a depressão sendo um mal tão avassalador, é possível escolher viver com vitalidade.

Mostra-nos acima de tudo que não existe um tratamento para a depressão, existem vários, é preciso estar aberto para poder avaliá-los e encontrar o seu. Solomon optou pela medicação psiquiátrica e análise. Afirma que detesta as sensações que a depressão lhe impõe, mas:

“…sei que elas me impeliram a olhar a vida de modo mais profundo, a descobrir e agarrar razões para viver. A cada dia, às vezes combativamente e às vezes contra a razão do momento, eu escolho ficar vivo. Isso não é uma rara alegria?”.

 

Cláudia Cristina Dadalt.
Outubro/2014.


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