No âmbito do nosso consultório nos deparamos também com questões acerca da sexualidade, ou seja, que envolvem problemas relacionados ao desempenho sexual.
Questões essas trazidas por sujeitos que se encontram em diferentes fases da vida, ou seja, nos deparamos, com homens e mulheres, de diversas idades.
A grande questão que nos apresentam é: se podem ser ajudados por um processo psicoterápico. Muitos dos quais já foram encaminhados por seus urologistas e/ou ginecologistas ou outros profissionais, que os orientam a buscar ajuda psicoterapêutica. Porque a análise feita pelos médicos descartou problemas orgânicos.
Seria muito mais fácil, no pensamento de muitos, se a disfunção fosse de causa orgânica, assim poderíamos engolir umas pílulas e tudo estaria resolvido. As pílulas ajudam, porém não resolvem o problema. Pois na grande maioria esses distúrbios tem uma origem psíquica, que se reflete no corpo.
Percebemos na maioria das vezes, que as pessoas que nos procuram apresentam certa resistência, em iniciar um processo psicoterápico, para tratar questões que envolvem seu desempenho sexual.
Como falar sobre dificuldades que envolvem o sexo?
Quando este assunto, ainda é envolto em tantos preconceitos, tabus.
Conflitos, temores, ansiedades, culpas, crenças, afetos negativos, inibição, insegurança, falsas concepções e o desconhecimento do corpo e seu funcionamento, muitas vezes é o que desencadeia vários problemas relacionados ao sexo.
Como: anorgasmia, vaginismo, dispaurenia e frigidez; no caso das mulheres. Os homens nos trazem queixas como: impotência e/ou disfunção erétil, ejaculação precoce ou retardada, anorgasmia. Listamos estas, como as dificuldades da esfera sexual, mais encontradas nos pacientes.
Por muito tempo a sexualidade foi um assunto tabu, até nos meios acadêmicos. Nas últimas décadas vemos que o padrão de comportamento sexual tem passado por grandes mudanças. Carvalho (2001) afirma que:
“[…] A potência do homem e o orgasmo da mulher passaram a ser mais do que direitos: são deveres. Além disso, o que era proibição tornou-se obrigação.”.
Ideias que geram grande ansiedade, desencadeando uma série de sintomas que levam o sujeito à insatisfação.
O que é Anorgasmia?
Para a mulher o transtorno orgásmico é caracterizado por um atraso ou ausência, persistente ou recorrente, de orgasmo após uma fase normal de excitação sexual. No homem está associada à dificuldade ou falta de sensação orgásmica no coito com ejaculação. (Carvalho – 2001).
Qual a diferença entre vaginismo e dispaurenia?
Para Kaplan (1978) o vaginismo é um distúrbio em que o intercurso sexual não é possível porque tentativas de penetração vaginal provocam uma contração involuntária, recorrente ou persistente da musculatura pélvica. Na dispaurenia a característica essencial é a dor genital relacionada ao intercurso sexual.
O que podemos dizer da frigidez?
Caracteriza-se por ausência de resposta sexual da mulher, quando a mulher não apresenta sensação erótica nem prazer sexual. Kaplan (1978) afirma que, a mulher verdadeiramente carente de resposta é rara.
Voltando nossa atenção ao homem: o que podemos dizer da disfunção erétil?
A característica essencial do transtorno de ereção masculina é a incapacidade persistente ou recorrente de se obter ou manter uma ereção adequada até a conclusão da atividade sexual. Carvalho (2001) vai chamar nossa atenção para, a angustia, que pode ser vivida pelo homem, perante a obrigação imposta por uma ereção e uma ejaculação, o que pode interferir no mecanismo de ereção.
Do que se trata quando falamos de ejaculação precoce ou retardada?
Master e Johnson (1970) consideravam que o homem sofre de ejaculação precoce quando, em 50% das relações ejaculam antes que a sua parceira atinja o orgasmo. Kaplan (1978) corrobora essa colocação, afirmando:
“O paciente com ejaculação prematura chega ao orgasmo tão rapidamente que o ato de fazer amor muitas vezes é decepcionante para ambos os parceiros.”
Colocando ainda, que a essência desta antecipação é a falta de controle voluntário adequado sobre o reflexo ejaculatório.
Já a ejaculação retardada ou o hipercontrole ejaculatório, trata de uma dificuldade de liberar o reflexo ejaculatório.
Considerando que tratamos de sujeitos com características singulares, apesar de muitas vezes sermos procurados por casais, que nos trazem suas dificuldades, entre elas as sexuais, o processo analítico ocorre de forma individualizada. Levando cada um dos parceiros a explorar seus temores e desejos, que podem estar no âmago da dificuldade sexual. Possibilitando que cada um se conscientize dos efeitos paralisantes de seus pensamentos, os quais influem sobre seus comportamentos, que os impossibilitam de experimentar a satisfação com o sexo. Para que ao se encontrarem possam permitir-se usufruírem do prazer a dois.
Cláudia Cristina Dadalt
CRP 08/8345
Texto elaborado em Agosto/2014
