Os Seis Paradigmas do Gozo


Este é um esquema para estudo elaborado a partir de discussões realizadas no grupo de cartel sobre Desejo/Dez.09, o qual teve como mais um Zelma Galesi. Textos usados: Os seis paradigmas do gozo ,de Jacques Alan Miller, editado na Orientação Lacaniana,  os capítulos XIII ao XV do livro: La experiência de lo real em la cura psicoanalitica do mesmo autor. Bem como esclarecimentos e esquemas para entendimento elaborados e dados pelo mais um do cartel, assim como anotações de sua aula ministrada em 11/03 na Delegação Paraná.

Elaboração: Cláudia Cristina Dadalt. Agosto/09.

Para entendermos os paradigmas do gozo na teoria lacaniana, devemos ter em conta, as seguintes divisões teóricas:

1)      Em relação ao conceito do REAL:

Seminário 01 ao 06 → REAL enquanto realidade, portanto a falta.

Seminário      07      → Introduz o REAL.

Seminário      10      → Objeto a.

Seminário      20      → Relação sexual não existe → REAL.

2)      Em relação ao conceito de PULSÃO, temos duas vertentes:

►Pela via do SIMBÓLICO → DEMANDA → AUTOMATOM → significantes da história.

►Pela via do REAL → PULSÃO → TIQUE → encontro com o REAL.

3)      Em relação ao conceito de INCONSCIENTE.

►Inconsciente Transferencial → estruturado como linguagem.

►Inconsciente Real → Real.

Primeiro Paradigma: A Imaginarização do Gozo

►EIXO IMAGINÁRIO→ EU (moi)→ -φ (falo imaginário – mãe)→ seminário 01 ao 04.

└→ Comunicação – Intersubjetiva / Dialética.

└→ Intersubjetividade Dialética → Relação Dissimétrica.

►EIXO SIMBÓLICO → Palavra → Intersubjetividade

└→ Linguagem → Autonomia do simbólico.

____________ _

__________ SUJEITO.

*Aqui o inconsciente aparecia ora como linguagem (o que ele comporta), ora como palavra (o discurso que ele emite), sendo qualificado por Lacan de sujeito.

►INCONSCIENTE TRANSFERENCIAL → decifração → simbólico → significante/significado.

►INCONSCIENTE REAL → pulsão → econômico → satisfação.

*Para Freud alguma coisa se cifra e se decifra nas formações do inconsciente, mas também algo se satisfaz.

►SATISFAÇÃO IMAGINÁRIA → GOZO → pulsões, investimento libidinal, fixações, fantasma ═› EU (moi).

►LIBIDO→ Estatuto Imaginário.

└→ GOZO → imaginário →Eu (moi) → instância imaginária,

____________________________└→ Narcisismo → estádio do espelho,

____________________________└→ Reservatório de libido.

  • “O narcisismo envelopa as formas do desejo.” (Escritos- pg. 428)

►IMAGINÁRIO: tudo aquilo que não pode ser colocado na ordem da satisfação simbólica.

►SATISFAÇÃO ESSENCIAL → comunicação → liberação do sentido → satisfação de ordem semântica → do lado do SUJEITO e do OUTRO.

└→NO SUJEITO → aprisionamento do sentido,

_______________sofrimento→ sintoma→sentido não liberado→recalque.

└→NO OUTRO →acolhimento→registro→sentido subjetivo→reconhecimento→implica uma satisfação da ordem da comunicação → desejo de reconhecimento→desejo mais profundo do sujeito→satisfação simbólica.

*O DESEJO É UMA RELAÇÃO DO SUJEITO AO OUTRO POR ISSO ESTA NO SIMBÓLICO.

►PRIMEIRO PARADIGMA → Disjunção entre SIGNIFICANTE e GOZO.

_____________________└→SIGNIFICANTE→Lógico, percurso;

_____________________└→GOZO→Falência, ruptura da cadeia significante.

►FENÔMENOS COM RUPTURA DA CADEIA SIMBÓLICA (emergência do gozo imaginário):

1)      ACTING OUT: emergência de uma relação oral primordialmente cerceada, a um elemento de gozo imaginário (Ernest Cris);

2)      PERVERSÕES TRANSITÓRIAS: emergência do gozo imaginário ai onde a elaboração simbólica falha ou fracassa;

3)      SUPEREU: figura obscena e feroz→o que emerge de um tal, fracasso simbólico e toma a figura do gozo imaginário.

■O gozo no imaginário é a resposta à impossibilidade de subjetivação.

Segundo Paradigma: A Significantização do Gozo

S  ◊  D → Possibilidade de transformar o Real em Significante.

* Este paradigma mistura-se ao primeiro, o completa e acaba prevalecendo.

└→Consistência e a articulação simbólica do que é imaginário.

►TRANSFERÊNCIA →1º TEMPO → relacionada ao gozo imaginário.

►TRANSFERÊNCIA →2º TEMPO → deslocada para o eixo simbólico (sem. V)

►PULSÃO → VIA DO REAL → tique (encontro do real) gozo imaginário.

►PULSÃO → DEMANDA → automaton (significantes da história), metonímia, substituição, combinação.

$ ◊ D → Momento capital da significantização do gozo, inscreve a demanda, o Outro, retranscreve a pulsão em termos simbólicos.

►FANTASMA → 1º TEMPO → imaginário. Laço que articula  a   –   a’ → Nome-do-Pai, impõe ordem.

►FANTASMA → 2º TEMPO → simbólico. Roteiro: ficção que se constrói para a falta do Outro → assimilável a cadeia significante → $  ◊  a (imaginário e simbólico→ libido) a imagem  a  em função significante é articulada ao sujeito simbólico.

►O FALO aqui vai passar do estatuto imaginário –φ para o estatuto simbólico Ф, porque aqui o falo vai entrar como ordenador.

►FALO IMAGINÁRIO →  -φ , EU  (moi) → falo imaginário da mãe (sem. 1 ao 4).

►FALO SIMBÓLICO    →  Ф, significante ordenador (sem. 5 ao 8).

* REGRESSÃO→ natureza simbólica → se realiza pelos significantes que foram empregados nas demandas passadas.

* DESEJO →que se realiza na significantização do gozo → um gozo mortificado, transposto para o significante, ou seja, a palavra mata a coisa.

  • ONDE ESTA A SATISFAÇÃO? Nisto que se cifra e se decifra → satisfação do desejo.
  • Outra satisfação do desejo → enquanto aquilo que corre como significado sob o significante ( S/s ), metonímia.
  • Qual a satisfação própria da pulsão? REAL.

► GOZO     → Significante.

► DESEJO  → Significado.

►     -φ      → Imagem fálica (simbolizada e negativizada).

►      Ф     → Significante do desejo  →  S  ◊  D  →  GOZO

_______└→ Significante do Gozo   →  S  ◊  a    →  FANTASMA.

# O GOZO ESTÁ REPARTIDO ENTRE O DESEJO E O FANTASMA.

GOZO  =        $ →   $   <>   D →  Significante

___________S                  d         →  Desejo → significado da demanda inconsciente.

___________GOZO  →  DESEJO  →  DESEJO MORTO.

GOZO → $ ◊ a

│              └→ $ – ser de morte → significante.

│              └→ a – corpo vivo.

└→ o fantasma concentra tudo que o gozo comporta de vida.

Terceiro Paradigma: O Gozo Impossível.

REAL  →  DAS DING  →  A COISA

►Seminário 07 → A ética da psicanálise.

►Gozo impossível → Gozo atribuído ao Real

►das Ding → a satisfação está fora do que é simbolizado, é da ordem do Real.

# O que quer dizer das Ding a Coisa?

Quer dizer que a satisfação, a verdadeira, a pulsional, a Befriedigung não se encontra nem no imaginário, nem no simbólico, que ela está fora do que é simbolizado, que ela é da ordem do real.

#Lacan nos mostra assim, que tanto a ordem simbólica e imaginária, toda essa montagem do grafo, é construída contra o gozo, assim:

►DEFESA → orientação primeira do ser (existe antes que se formulem as condições do Recalque).

►RECALQUE → simbólico → decifração.

└→ Recalque e Defesa formam uma barreira que o Real opõe tanto ao imaginário como ao simbólico → BARREIRA REAL E ESSENCIAL.

# Lacan vai colocar em questão outras duas barreiras:

└→ BARREIRA SIMBÓLICA: Da Lei, aquela que diz tu não deves, tu não podes (imperativo Kantiano).

└→ BARREIRA IMAGINÁRIA: Belo/Bem, que vem velar a coisa (Antígona).

► Tanto a Barreira Simbólica como a Imaginária estão condicionadas por este esvaziamento de simbólico da coisa.

* BARREIRA REAL ESSENCIAL

└→ INCIDE SOBRE A VONTADE DE GOZO DA MÃE.

______└→ DESEJO DA MÃE → a análise deve levar o sujeito a interpretar esse Desejo materno.

*PONTO DE RUPTURA TEÓRICO DESTE PARADIGMA:

└→ O gozo passa para o Real;

└→ esta fora do sistema, e tem como traço um caráter absoluto.

►Neste paradigma vamos sair do modelo da rasura do significante que se abre a uma aufhebung (abolição), para o modelo do vaso.

└→ Primeiro tempo da ótica do imaginário (sem. X).

# O vaso tem a propriedade de introduzir o menos phi (-φ).  É nesta propriedade que Lacan situa A COISA em sua porção não significantizada, equivalendo-a, à CASTRAÇÃO. Circunscrevendo a redução do gozo a um lugar vazio, equivalente ao $, introduzindo a possibilidade de preenchê-lo.

# A partir daí temos vários termos com elementos simbólicos e imaginários, que Lacan diz serem susceptíveis de ocupar o lugar de das Ding, mesmo que ele seja cortado do resto do sistema e dotado da propriedade de ser absoluto.

  • LEI MORAL DE KANT→ idêntico a das Ding pelo seu caráter mudo, cego, absoluto.
  • A CIÊNCIA → porque é absoluta.
  • A MÃE → objeto por excelência (no sentido da falta/vazio).

# Neste paradigma o GOZO é estruturalmente inacessível, a não ser por uma TRANSGRESSÃO.

└→Exemplo dessa TRANSGRESSÃO → ANTÍGONA.

└→ “ …franqueando a barreira da cidade, a lei, a barreira do belo, para avançar até a zona de horror que comporta o gozo”.

# Neste paradigma temos a disjunção entre o GOZO e o SIGNIFICANTE.

_______S   ║   G

_______________________└→ O GOZO É REAL.

►1º) Libido → Desejo → Significantes  → Princípio do prazer.

►2º) Libido → das Ding → Fora de todo significante e significado→ Gozo.

DESEJO 

PRAZER

HOMEOSTASE

BEM

↓

ENGODO

SIGNIFICANTE

IMAGINÁRIO

SEMBLANTE

  GOZO

DESPRAZER

EXCESSO

MAL

REAL

#Este paradigma coloca o gozo do lado da coisa.

INCONSCIENTE → Estruturado como linguagem → discurso do Outro → não inclui o GOZO porque este esta fora da simbolização.

“… no nível inconsciente, o sujeito mente sobre das Ding, existe uma espécie de – mentira originária – sobre o gozo, disjunção separadora fundamental entre significante e gozo.”

►FREUD → DEFESA → “mentira originária”, a mentira estrutural que o sujeito traz no lugar do gozo.

►LACAN → SINTOMA relacionado à defesa, sinal de que o sujeito goza mal.

____________└→está articulado ao caráter estruturalmente desarmônico da relação com o gozo.

____________└→é o modo pelo qual o sujeito formula que o gozo é mal.

Quarto Paradigma: O Gozo Normal.

GOZO FRAGMENTADO –  OBJETOS a.

►GOZO NORMAL → Gozo que passa pelo objetos sem as fixações. É a possibilidade, do sujeito poder ter um gozo normal, quando a partir da análise superar os curto circuitos em relação ao trajeto pulsional.

→ Sujeito quando entra em análise. A análise deve circunscrever o objeto olhar e a voz para o sujeito.

►À partir do seminário 11 temos um gozo fragmentado em objetos a.

“… o objeto pequeno a é simplesmente a presença de uma cavidade, de um vazio.”

└→ Corpo fragmentado da pulsões  parciais → integração da via gozo pulsional → alcançado pelo circuito pulsional.

►O que muda neste paradigma?

Lacan nos mostra que há uma articulação entre significante e gozo, caminham juntos articulados pela via do resto.

________________das Ding

__OBJETO a___

________________Outro

_Elemento de gozo.
Substância de gozo.
Objeto perdido e independente do significante.
Perda natural.
Semblante→está dotado da propriedade significante de apresentar-se como um elemento.

SIGNIFICANTE   →   MATERIAL.

►Para explicar a relação entre significante e gozo Lacan vai reconstruir o mecanismo da Alienação Y Separação.

►Qual a finalidade do mecanismo de Alienação y Separação?

Mecanismo de constituição do sujeito, que mostra a articulação íntima entre significante e gozo.

ALIENAÇÃO 

Ordem simbólica

1º) Identificação
=> supõe um significante absorvente que está no Outro e ao qual o sujeito se identifica ao mesmo tempo que permanece conjunto vazio.

DIVISÃO DO SUJEITO

2º) Recalque
=> se tomarmos uma cadeia Significante, cujo mínimo é S1 – S2, o recalque implica que,desses dois significantes há um que passa por baixo é ele que representa o sujeito.

SEPARAÇÃO

Resultado da operação da alienação que vai implicar uma resposta de gozo.

Retraduz a função da pulsão como respondendo a identificação e ao recalque. Ali onde havia o sujeito vazio, aparece o objeto perdido, a.

Isto supõe a sobreposição da estrutura do sujeito, a estrutura do gozo.

Sujeito vale como falta ser.

Pulsão porta uma hiância um vazio.

►Onde Lacan colocava a TRANSGRESSÃO, agora coloca a SEPARAÇÃO, como possibilidade de um funcionamento normal da pulsão. AQUI O SUJEITO VAI SE ENCONTRAR COM O SEU VAZIO SIGNIFICANTE.

►A partir daí Lacan redescreve o inconsciente como:

  • Descontinuidade;
  • Borda que se abre e se fecha.

_______└→zona erógena (ânus/boca).

_______└→mostra que há uma comunidade de estrutura entre o inconsciente simbólico e o funcionamento da pulsão.

_______└→ E modela o GOZO a partir do próprio sujeito.

____________└→Como o modelo do vaso (Heidgger).

____________________└→A cavidade criada pela anulação significante é preenchida, inadequadamente, por um objeto, neste paradigma, A LIBIDO.

►O mito da LÂMINA→orgão, objeto perdido e matriz de todos os objetos perdidos.

OBJETO PERDIDO→ É uma perda independente do significante, uma perda natural.

“…aqui essa libido, como objeto perdido, representa a parte do vivo que se perde no que ele se produz pelas vias do sexo.” (Escritos – pg. 861)

Quinto Paradigma: O Gozo Discursivo

GOZO DISCURSIVO → Quatro discursos

—————————–└→ Seminário 16/17 – Radiofonia

►DISCURSOS → Alienação e Separação.

———–“…há uma alienação primitiva do saber com o gozo.” (O avesso da psicanálise).

———–# SABER  =  SIGNIFICANTES

————————-└→ Material – Não substancial.

———-# GOZO    →  Esta no sistema significante.

►Este paradigma inaugura a idéia de que:

└→ “…Relação significante/gozo é uma relação primitiva e originária.”

———-└→”Valoriza a repetição como REPETIÇÃO DE GOZO.”

“O SIGNIFICANTE REPRESENTA UM SUJEITO PARA OUTRO SIGNIFICANTE”

———└→Traduz uma alienação simbólica.

►A questão do discurso vai introduzir:

—-“O SIGNIFICANTE REPRESENTA UM GOZO PARA OUTRO SIGNIFICANTE.”

——└→”Ao representar o gozo, o significante o faz faltar, assim como o significante que representa o sujeito faz faltar também, uma vez que o sujeito permanece ao lado como conjunto vazio.”

*A INCONSISTÊNCIA DO OUTRO É A INCONSISTÊNCIA DO SIGNIFICANTE.

►O que é o DISCURSO?

“O discurso é a única possibilidade de resposta a esse encontro faltoso, constituindo-se, assim, um modo de relação entre os sexos cuja natureza se traduz no sintoma.”

#Lacan ao definir a relação do sujeito ao significante, aponta para uma definição circular, a qual se apresenta estruturalmente, sob a forma de um binário:

_______________S1 ———S2

*UM SIGNIFICANTE TENDO SEU VALOR DE REPRESENTAÇÃO SUBJETIVA PARA UM OUTRO SIGNIFICANTE.

S1 → Marca, Letra de Gozo, Um Lugar – Made in – REAL/SIMBÓLICO.

——└→ Um conjunto de significantes referido ao outro significante, que é único Lessaim – Único.

S2 → Um saber construído pelo $.

———-Contém uma multiplicidade reunida em conjunto.

———-Significante Mestre, significante saber que faz conjunto.

S1 e    S2 → é a estrutura da linguagem reduzida do significante.

————–└→ Essa definição circular do significante, comporta a definição do Sujeito.

►O que é o SUJEITO?

Chama-se de sujeito o que é veiculado por um significante para um outro significante. É porque nenhuma representação identificatória é completa, que essa representação tende a se repetir. Se o sujeito é representado, é na medida em que ele nunca é apresentado, em que ele nunca está presente. Ele não é jamais, a não ser representado. S1 representante de $ tenta dizer, que ele é representado, mas que ele permanece sempre, estruturalmente, irrepresentável.

É representando o irrepresentável, que o significante é aberto a sua repetição, repetição cujo princípio é o fracasso da completa realização da representação em questão.

►O sujeito, na sua própria parte irrepresentável, surge somente pelo fato de ser representado por um significante, ou seja, o conjunto em si mesmo só tem existência e começa a aparecer se um significante ai se inscreve. O significante faz surgir o sujeito.

►De onde ele o faz surgir?

De que matéria prima o significante faz surgir o sujeito?

Antes do funcionamento do significante temos um ser prévio,

um ser que o significante,

vai transforma em  sujeito barrado.

$.

#Nada do significante vem tocar diretamente o que diz respeito à separação, pois, esta opera sobre uma falta que é perda de vida do corpo. Ao nos atermos ao mecanismo significante, o significante é a causa do sujeito. Podemos dizer que, sem o significante, não haveria nenhum sujeito no Real, e que o sujeito sempre esta no Real sob a forma de uma descontinuidade de uma falta, sob formas que repercutem o conjunto vazio.

$ → se declina sob as forma da verdade, que nunca dará nenhuma descrição do Real – a verdade se inscreve se insere nas descontinuidades do Real.

—–-→ se declina sob as formas da morte, que é o modo essencial da incidência patológica do significante no Real, a MORTIFICAÇÃO.

——→ se declina como desejo.

———└→ desejo como desejo morto, enquanto que é precisamente a morte significante que torna o desejo indestrutível.

——–# “…É a morte significante, a marca $ do desejo, que faz o desejo entrar em uma memória do tipo cibernética ou eletrônica, e é por isso que Lacan  pode dizer que a cadeia da repetição é a de um desejo morto.”

→ Num primeiro tempo vemos que o gozo não esta  inscrito nesta construção significante, acentuando a antinomia entre significante e gozo, entre sujeito barrado do significante e gozo.

#É a partir do falo que Lacan aplica ao Gozo o esquema do significante e do significado

►SIGNIFICAÇÃO DE GOZO → Gozo interditado, que falta.

_____________________→ Gozo barrado, mortificado.

________

_______-φ → castração, falta imaginária.

►SIGNIFICANTE DE GOZO → que não pode ser anulado.

__________

__________Ф → falo simbólico, das Ding, Outro.

#É o Gozo como impossível, fora de simbolização que Lacan tenta recuperar no significante, sob a forma de grande phi o símbolo de das Ding, um significante absolutizado.

———-*ESTE PARADIGMA SE FUNDA SOBRE A EQUIVALÊNCIA ENTRE O SUJEITO E O GOZO.

“…ao mesmo tempo em que o gozo é interdito, ele pode ser dito nas entrelinhas, isto nos diz que, não seja veiculado pelo significante apenas o sujeito barrado, o sujeito que falta, mas, também, o gozo com objeto perdido.”

►Podemos assim determinar, que esse ser prévio ao funcionamento do sistema significante é um ser de gozo, ou seja, um corpo afetado de GOZO.

—————————*O PONTO DE INSERÇÃO DO APARELHO SIGNIFICANTE É O GOZO.

►Ao derrubar a autonomia do simbólico, quando Lacan nos dizia que “ o que se veicula na cadeia significante é o sujeito barrado, a verdade, a morte, o desejo”, a partir do paradigma cinco – onde o significante é aparelho de Gozo, é retraduzido como, “o que se veicula na cadeia significante é o gozo”.

►Qual é a relação primitiva aqui em questão?

A anulação, a mortificação do gozo, agora é concebida como perda de gozo, desperdício de gozo, entropia situada como efeito do significante.

O que no paradigma quatro aparecia como uma perda natural de vida; aparece no paradigma cinco como um efeito do significante.

A segunda face dessa relação primitiva entre significante e gozo, é um suplemento de gozo. Lacan vai introduzir aqui o objeto pequeno a como mais-gozar, como suplemento da perda de gozo.

————PERDA DE GOZO → é subjetivar o gozo.

└→ O SIGNIFICANTE PASSA A SER MARCA DE GOZO.

→ “…o significante mestre comemora uma irrupção de gozo.”

——–└→introduz uma perda de gozo.

——–└→produz um suplemento de gozo.

“…O MAIS GOZAR TOMA CORPO A PARTIR DE UMA PERDA DE GOZO.”

►O saber é um meio de gozo:

→ na medida em que tem efeito de falta;

→ na medida em que ele produz o suplemento, o mais-gozar.

►O que leva Lacan a dizer:

——————–“…a verdade é irmã do gozo.”

►Porque: – é inseparável dos efeitos de linguagem;

————-– esta ligada ao gozo barrado, gozo interdito;

———– ocupa o lugar do que é anulado mortificado.

►Miller acrescenta:

——————-–“…a verdade é a querida irmãzinha da impotência.”

►Assim: Significante, Ordem Simbólica, Outro – devem ser pensados em sua conexão com o GOZO.

“…Isso dá um novo valor à metonímia, uma vez que ali onde havia o sujeito, há, daqui em diante, o gozo perdido.”

►Isto nos leva a:

—————————————————————–“UM RETORNO AO CORPO”

Deslocando assim a relação com o gozo, caracterizada pelo fantasma (travessia-transgressão), para a relação com o gozo caracterizada  pela repetição (sintoma – repetição de gozo).

►SINTOMA: – desenvolvimento temporal dessa relação com o gozo;

—————–– não se presta a transgressão;

—————–– saber fazer com o sintoma.

►Trata-se de um basta na repetição ou de um novo uso dela?

Este paradigma, é inteiramente condicionado pela relação, do significante e do gozo, do saber e do gozo, é primitiva, mas na medida em que é primitiva, ela é muito mais estreita. Lacan se dedica a desmentir tudo o que poderia restar da não-relação entre o gozo e o significante, e mostra, ao contrário, a que ponto a introdução mesma do significante depende do gozo e que o gozo é impensável sem o significante, que existe, aí, uma espécie de circularidade primitiva entre significante e o gozo.

“O fim de análise, em Lacan, concerne sempre à relação do sujeito com o gozo, e a modificação que pode ser feita nisso.”

Sexto Paradigma: A Não-Relação.

Seminário XX – Mais, ainda → O Gozo enquanto Fato.

—————————————————-O SIGNIFICANTE É SIGNO DE GOZO.

►LINGUAGEM → Conceito derivado de LALÍNGUA.

LALÍNGUA → a palavra antes de seu ordenamento gramatical e lexicográfico.

——————–→ conceito da palavra, concebida, como gozo.

——————–→ é a palavra separada da estrutura da linguagem, que aparece como derivada em relação a este exercício primeiro e separado da comunicação.

# PROPÕE AQUI UMA ALIANÇA ORIGINÁRIA ENTRE GOZO E  LALÍNGUA.

ESTE PARADIGMA É FUNDADO:

———–└→ Sobre não relação;

———–└→ Sobre a DISJUNÇÃO: Do Significante e do Significado;

———————————————Do Gozo e do Outro;

———————————————Do Homem e da Mulher.

———————————————————–SOB A FORMA “A RELAÇÃO SEXUAL NÃO EXISTE”.

►Termos que asseguravam a conjunção:→A palavra como comunicação;

————————————————--→O Outro;

————————————————–→O Nome-do-Pai;

————————————————–→Símbolo Fálico.

————————————–FICAM REDUZIDOS A CONECTORES.

└→Desmoronam enquanto “SEMBLANTES”, são reduzidos a função de grampo de elementos fundamentalmente disjuntos.

——-►Disjunção do sujeito e do campo do Outro.

——-►Do campo do Outro, o que vem são as identificações que sempre são patológicas.

# O último paradigma, que é indexado pela DISJUNÇÃO, é representado por dois círculos eulerianos, cuja intersecção se faz pelo vazio.

O SUJEITO É VAZIO DE REPRESENTAÇÃO.

———–└→O GOZO É A REPRESENTAÇÃO DO SUJEITO.

———–└→LALÍNGUA PORTA O GOZO.

# O SUJEITO FAZ PARCERIA COM O SINTOMA.

# O FALASSER FAZ PARCERIA COM O SINTHOME.

►Esta intersecção vazia esta cheia do que podemos chamar de suplências – OPERADORES  DE CONEXÃO ENTRE OS DOIS CONJUNTOS.

└→Rotina, tradição, herança dos anos passados;

└→Invenção, experimentação do laço.

# O sexto paradigma permite localizar o laço, onde rotina e invenção operam.

└→O laço nos reporta ao laço sexual. O que leva Lacan a operacionalizar o conceito de não relação  ou seja:

———————————————“A RELAÇÃO SEXUAL NÃO EXISTE”.

# PONTO DE PARTIDA DESTE PARADIGMA:

HÁ GOZO.

►        HÁ GOZO ENQUANTO PROPRIEDADE DE UM CORPO VIVO, QUE FALA.

# No seminário XX Lacan esclarece:

———————-“…a substância do corpo, com a condição de que ela se defina apenas como aquilo de que se goza.” (p.35)

►Este ponto de partida implica uma disjunção entre Gozo e Outro.

———————————#COMO EXPLICAR ESTE PONTO?

►Aqui aparece o Outro do Outro sob a forma do UM.

►O UM é o verdadeiro Outro do Outro.

►O que se quer dizer com o Outro do Outro?

Percebe-se primeiramente o Outro¹ e, depois o Outro do Outro² apareceria, acima para garantir o primeiro.

►Há essa garantia?

Não, não há essa garantia.

►Então o que temos?

O Outro do Outro aparece abaixo sob a forma do UM.

#Temos assim a evidência de tudo o que é do gozo é gozo sem o Outro é GOZO UNO.

►O que significa dizer GOZO UNO?

—————————→que ele é disjunto do Outro;

—————————→o lugar do Gozo é o corpo próprio;

—————————→pertence ao Real.

#Sempre é o corpo próprio quem goza, por qualquer que seja o meio.

►Outras versões do GOZO UNO:

#GOZO FÁLICO→ Gozo concentrado sobre a parte fálica do corpo – Gozo do Idiota, do solitário, um gozo que se estabelece na não relação com o Outro. Gozo Masturbatório.

#GOZO DA PALAVRA→ A palavra é gozo e não comunicação – é parlapatório BláBlá (fala  exagerada   desprovida  de   importância; falatório, palavrório, verborragia),  que considerada   na perspectiva do Gozo, a palavranão visa o reconhecimento a compreensão, não tem endereçamento.

#GOZO SUBLIMATÓRIO→ Ele não se dirige ao Outro, é a saída própria da palavra do gozo, da palavra solitária.

►Assim o GOZO UNO é:   GOZO DO CORPO PRÓPRIO

———————————-GOZO FÁLICO

———————————-GOZO DA PALAVRA

———————————-GOZO SUBLIMATÓRIO.

#PORÉM NUNCA EM RELAÇÃO COM O OUTRO, O GOZO COMO TAL É

GOZO UNO.


Deixe um comentário